Funções elípticas de Weierstrass

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Em matemática, funções elípticas de Weierstrass são funções elípticas que tomam uma forma particularmente simples (cf funções elípticas de Jacobi); elas são nomeadas em referência a Karl Weierstrass. Esta classe de funções são também tratadas como funções P e geralmente escritas usando o símbolo (uma letra p estilizada chamada p Weierstrass).

Símbolo para a função P de Weierstrass.

Definições

A função P de Weierstrass definida sobre uma porção do plano complexo utilizando uma técnica usual de visualização na qual o branco corresponde a um polo, preto a um zero, e a máxima saturação a |f(z)|=|f(x+iy)|=1. Notar um retículo regular dos polos, e dois retículos que se entrecruzam de zeros.

Pode-se definir à função elíptica de Weierstrass de três maneiras muito similares, cada uma delas possui certas vantagens. Uma é como uma função de variável complexa z e uma retículo Λ no plano complexo. Outra é em termos de z e dois números complexos ω1 e ω2 que definem um par de geradores, ou períodos, do retículo. A terceira é em termo de z e de um módulo τ no semiplano superior. Esta se relaciona com a definição prévia mediante a seguinte expressão τ=ω2/ω1, a qual em virtude da convenção usual de pares de períodos se encontra no semiplano superior. Utilizando este método, para um z fixo as funções de Weierstrass resultam ser funções modulares de τ.

Considerando os dois períodos a função elíptica de Weierstrass é uma função elíptica com períodos ω1 e ω2 definida como

(z;ω1,ω2)=1z2+m2+n20{1(zmω1nω2)21(mω1+nω2)2}.

Então Λ=mω1+nω2 são os pontos do par de retículos, pelo que

(z;Λ)=(z;ω1,ω2)

para todo par de geradores do retículo define a função de Weierstrass como uma função de uma variável complexa e um retículo.

Se τ é um número complexo no semiplano superior, então

(z;τ)=(z;1,τ)=1z2+n2+m201(znmτ)21(n+mτ)2.

A soma indicada anteriormente é homogênea com um grau menos dois, com o qual se pode definir a função de Weierstrass para todo par de períodos, como

(z;ω1,ω2)=(z/ω1;ω2/ω1)/ω12.

Pode-se calcular de forma direta e rápida em termo das funções teta; porque as mesmas convergem rapidamente, esta é uma forma mais veloz de computar-se que as séries que nós usamos para definí-las. A fórmula é

(z;τ)=π2ϑ2(0;τ)ϑ102(0;τ)ϑ012(z;τ)ϑ112(z;τ)+e2(τ)

onde

e2(τ)=π23(ϑ4(0;τ)+ϑ104(0;τ)).

Existe um polo de segunda ordem em cada ponto do retículo do período (incluindo a origem). Com estas definições, (z) é uma função par e sua derivada em relação a z, , é uma função ímpar. Posteriores desenvolvimentos da teoria das funções elípticas mostram que a condição sobre a função de Weierstrass (corretamente chamada pe) é determinada pela adição de uma constante e multiplicação por uma constante não nula sobre os polos isolados, entre todos as funções meromorfas com o retículo do período dado.

Invariantes

A parte real do invariante g3 como uma função do nome q sobre o disco unidade.
A parte imaginária do invariante g3 como uma função do nome q sobre o disco unidade.

Se pontos próximos à origem são considerados a série de Laurent apropriada é

(z;ω1,ω2)=z2+120g2z2+128g3z4+O(z6)

onde

g2=60Ωm,n4,g3=140Ωm,n6.

(aqui Ωm,n=mω1+nω2 e uma soma tracejada referem-se ao somatório sobre todos os pares de inteiros exceto m=n=0). Os números g2 e g3 são conhecidos como os invariantes — são dois termos externos da série de Eisenstein. (Abramowitz e Stegun limitam-se ao caso de g2 real e g3, estabelecendo neste caso "parecer abranger a maioria das aplicações"; isto pode ser verdadeiro do ponto de vista de matemática aplicada. Se ω1 é real e ω2 puramente imaginário, ou se ω1=ω2, os invariantes são reais).

Note-se que g2 e g3 são funções homogêneas de grau -4 e -6; isto é,

g2(λω1,λω2)=λ4g2(ω1,ω2)

e

g3(λω1,λω2)=λ6g3(ω1,ω2).

Então, por convenção, frequentemente escreve-se g2 e g3 em termos de razão de meio período τ=ω2/ω1 e toma-se τ situando-se no meio plano superior. Então, g2(τ)=g2(1,ω2/ω1) e g3(τ)=g3(1,ω2/ω1).

A série de Fourier para g2 e g3 pode ser escrita em termos do quadrado da nome q=exp(iπτ) como

g2(τ)=4π43[1+240k=1σ3(k)q2k]

e

g3(τ)=8π627[1504k=1σ5(k)q2k]

onde σa(k) é a função divisor. Esta fórmula pode ser reescrita em termos de série de Lambert.

Os invariantes podem ser expressos em termos de funções teta de Jacobi. Este método é muito conveniente para cálculo numérico: as funções teta convergem muito rapidamente. Na notação de Abramowitz e Stegun, mas notando os semiperíodos primitivos por ω1,ω2, os invariantes satisfazem

g2(ω1,ω2)=π412ω14(θ2(0,q)8θ3(0,q)4θ2(0,q)4+θ3(0,q)8)

e

g3(ω1,ω2)=π6(2ω1)6[827(θ2(0,q)12+θ3(0,q)12)
49(θ2(0,q)4+θ3(0,q)4)θ2(0,q)4θ3(0,q)4]

onde τ=ω2/ω1 é o razão de meio período e q=eπiτ é o nome.

Casos especiais

Se os invariantes são g2=0, g3=1, então isto é conhecido como o caso equianarmônico; g2=1, g3=0 é o caso lemniscática.

Equação diferencial

Com esta notação, a função satisfaz a seguinte equação diferencial:

[(z)]2=4[(z)]3g2(z)g3,

onde a dependência em ω1 e ω2 é suprimida.

Equação integral

A função elíptica de Weierstrass pode ser dada como a inversa de uma integral elíptica.

Fazendo-se

u=yds4s3g2sg3.

Aqui, g2 e g3 são tomados como constantes. Então tem-se

y=(u).

O acima segue-se diretamente por integração da equação diferencial.

Discriminante modular

A parte real do discriminante como uma função do nome q no disco unidade.

O discriminante modular Δ é definido como

Δ=g2327g32.

Isto é estudado na forma adequada, como uma forma parabólica, na teoria da forma modular (isto é, como uma função do retículo do período).

Note-se que Δ=(2π)12η24 onde η é a função eta de Dedekind.

A presença do 24 pode ser entendida pela conexão com outras ocorrências, como na função eta e no retículo Leech.

O discriminante é uma forma modular de peso 12. Isto é, sob a ação de grupo modular, transforma-se como

Δ(aτ+bcτ+d)=(cτ+d)12Δ(τ)

com τ sendo a razão de meio período, e a,b,c e d sendo inteiros, com ad − bc = 1.

As constantes e1, e2 e e3

Considerando-se a equação polinomial cúbica 4t3g2tg3=0 com raízes e1, e2, e e3. Se o discriminante Δ=g2327g32 não é zero, nem duas destas raízes são igauis. Já que o termo quadrático desta polinomial cúbica é zero, as raízes são relacionadas pela equação

e1+e2+e3=0.

Os coeficientes lineare e constante (g2 and g3, respectivamente) são relacionados às raízes pelas equações[1]

g2=4(e1e2+e1e3+e2e3)=2(e12+e22+e32)
g3=4e1e2e3.

No caso de invariantes reais, o sinal de Δ determina a natureza das raízes. Se Δ>0, todas as três são reais e é convencional nomeá-las então e1>e2>e3. Se Δ<0, é convencional escrever-se e1=α+βi (onde α0, β>0), onde e3=e1 e e2 é real e não negativa.

Os meio períodos ω1 e ω2 da função elíptica de Weierstrass são relacionados às raízes

(ω1)=e1(ω2)=e2(ω3)=e3

onde ω3=(ω1+ω2). Desde que a derivada da função elíptica de Weierstrass iguala-se the above polinomial cúbico do valor da função, (ωi)=0 para i=1,2,3; se o valor da função iguala-se a raiz do polinômio, a derivada é zero.

Se g2 e g3 são reais e Δ>0, a ei são todos reais, e () é real sobre o perímetro do retângulo com vértices 0, ω3, ω1+ω3, e ω1. Se as raízes são ordenadas como above (e1>e2>e3), então o primeiro meio período é completamente real

ω1=e1dz4z3g2zg3

considerando-se que o terceiro meio período é completamente imaginário

ω3=ie3dz4z3g2zg3.

Teoremas de adição

As funções elípticas de Weierstrass tem diversas propriedades que podem ser provadas:

det[(z)(z)1(y)(y)1(z+y)(z+y)1]=0

(uma versão simétrica seria

det[(u)(u)1(v)(v)1(w)(w)1]=0

Onde u+v+w=0).

Além disso

(z+y)=14{(z)(y)(z)(y)}2(z)(y).

e a fórmula da duplicação

(2z)=14{(z)(z)}22(z),

exceto 2z que é um período.

O caso com 1 um meio período básico

Se ω1=1, muito da teoria acima torna-se mais simples; é então convencional escrever-se τ para ω2. Para um τ fixo no meio plano superior, então a parte imaginária de τ é positiva, nós definimos a função Weierstrass por

(z;τ)=1z2+n2+m201(znmτ)21(n+mτ)2.

A soma estende-se sobre o retículo {n+mτ : n e m in Z} com a origem omitida.

Aqui consideramos τ como fixo e como uma função de z; fixando z e deixando τ variar a condução dentro da área das funções elípticas modulares.

Teoria geral

é uma função meromorfa no plano complexo com um duplo polo a cada ponto do retículo. É duplamente periódico com os períodos 1 e τ; isto significa que satisfaz

(z+1)=(z+τ)=(z)

A soma acima é homogênea de grau menos dois, e se c é qualquer número complexo não zero,

(cz;cτ)=(z;τ)/c2

dos quais nós podemos definir a função Weierstrass para qualquer par de períodos. Nós também podemos tomar a derivada (evidentemente, em relação a z) e obter uma função algebricamente relacionada a por

'2=3g2g3

onde g2 and g3 depende somente de τ, sendo forma modular. A equação

Y2=X3g2Xg3

define uma curva elíptica, e nós vemos que (,) é uma parametrização desta curva.

A totalidade das funções meromorfas duplamente periódicas com dados períodos define uma função corpo algébrico, associado a esta curva.

Podemos mostrar que este corpo é

(,),

então todas estas funções são funções racionais na função Weierstrass e sua derivada.

Nós também podemos inserir um paralelograma de período único em um toro, ou superfície de Riemann em forma de "donut" , e tendo as funções elípticas associadas a um dado par de períodos como sendo funções definidas sobre esta superfície de Riemann.

As raízes e1, e2, e e3 da equação X3g2Xg3 dependem de τ e podem ser expressas em termos de funções teta; nós temos

e1(τ)=π23(ϑ4(0;τ)+ϑ014(0;τ)),
e2(τ)=π23(ϑ4(0;τ)+ϑ104(0;τ)),
e3(τ)=π23(ϑ104(0;τ)ϑ014(0;τ)).

Dado que g2=4(e1e2+e2e3+e3e1) e g3=4e1e2e3 nós temos estes também em termos de funções teta.

Podemos também expressar em termos de funções theta; porque estas convergem muito rapidamente, este é um meio mais rápido de cálculo que as séries que usamos para definí-las.

(z;τ)=π2ϑ2(0;τ)ϑ102(0;τ)ϑ012(z;τ)ϑ112(z;τ)+e2(τ).

A função tem dois zeros (módulos de períodos) e a função tem três. Os zeros de são fáceis de serem encontrados: dado que é uma função ímpar devem estar em pontos de meio período. Por outro lado é muito difícil expressar os zeros de por forma fechada, exceto para valores especiais do módulo (e.g. quando o retículo do período é inteiro de Gauss). Uma expressão foi encontrada por Zagier e Eichler.[2]

A teoria de Weierstrass também inclui a função zeta de Weierstrass, a qual é uma integral indefinida de e não duplamente periódica, e uma função teta chamada função sigma de Weierstrass, da qual sua função zeta é a derivada logarítmica. A função sigma tem zeros em todos os pontos do período (somente), e pode ser expressa em termos de funções de Jacobi. Isto dá um meio de conversão entre notações de Weierstrass e Jacobi.

A função sigma de Weierstrass é uma função inteira; desempenha o papel de função 'típica' na teoria de funções inteiras aleatórias de J. E. Littlewood.

Relação com as funções elípticas de Jacobi

Para trabalho numérico, é frequentemente conveniente calcular a função elíptica de Weierstrass em termos das funções elípticas de Jacobi. As relações básicas são[3]

(z)=e3+e1e3sn2w=e2+(e1e3)dn2wsn2w=e1+(e1e3)cn2wsn2w

onde e1-3 são as três raízes descritas acima e onde o módulo k das funções de Jacobi iguala-se

ke2e3e1e3

e seu argumento w iguala-se

wze1e3.

Predefinição:Referências

  • Naum Illyich Akhiezer, Elements of the Theory of Elliptic Functions, (1970) Moscow, traduzido para o inglês como AMS Translations of Mathematical Monographs Volume 79 (1990) AMS, Rhode Island ISBN 0-8218-4532-2
  • Tom M. Apostol, Modular Functions and Dirichlet Series in Number Theory, Second Edition (1990), Springer, New York ISBN 0-387-97127-0 (See chapter 1.)
  • K. Chandrasekharan, Elliptic functions (1980), Springer-Verlag ISBN 0-387-15295-4
  • Serge Lang, Elliptic Functions (1973), Addison-Wesley, ISBN 0-201-04162-6
  • E. T. Whittaker and G. N. Watson, A course of modern analysis, Cambridge University Press, 1952, capítulos 20 e 21
  • Konrad Knopp, Funktionentheorie II (1947), Dover; Republicado em traduçã para o inglês como Theory of Functions (1996), Dover ISBN 0-486-69219-1
  • Abramowitz and Stegun; Handbook of Mathematical Functions, capítulo 18

Ligações externas

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  1. Abramowitz and Stegun, p. 629
  2. M. Eichler and D. Zagier, On the zeros of the Weierstrass ℘-Function, Mathematische Annalen, Volume 258, Number 4, December 1982.
  3. Predefinição:Citar livro